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Nem só de investigação vive um delegado federal

A seriedade que o delegado federal Marcelo Bertolucci transparece em um primeiro momento, quase esconde o carismático esportista que mostra à nossa equipe fotos de sua carreira na Luta Livre, com o prazer e o orgulho de quem se tornou referência no estilo.

Ainda criança, em Botafogo, no Rio de Janeiro, Bertolucci se aproximou do esporte. Começou pelo taekwondo, luta praticada pelos irmãos mais velhos. Mas também fez Capoeira, Jiu Jitsu e Boxe – modalidade que o consagrou como campeão carioca.

Na cidade fluminense, na década de 80, foi convidado por um amigo para conhecer uma nova prática, a Luta Livre, que é semelhante ao Jiu Jitsu, mas não usa quimono – também chamado de No Gi ou Submission. O estilo ganhou o coração do delegado federal, que é um dos precursores da Luta Livre no Rio de Janeiro.

Nas fotos de Bertolucci, é possível perceber que no tatame ele se sente em casa. Marcelo é feliz por ter escolhido o esporte, que além de trazer benefícios para sua saúde, o faz se sentir mais forte e realizado. “A luta para mim é uma terapia. Não consigo ficar sem treinar”, afirmou. “Atualmente, treino muito menos, pois tenho responsabilidades maiores, mas continuo fazendo meu esporte como um descarrego do trabalho”, explica Marcelo.

Marcelo Bertolucci, na década de 80, quando começou a treinar luta livre

Segundo ele, sua experiência com a luta também o ajuda nas atividades exercidas na PF. Inclusive, Marcelo defende que a luta e a defesa pessoal sejam mais difundidas no ambiente policial. “Em uma abordagem, sabendo seu potencial de defesa, você se sente mais seguro”, explica. “Nunca precisei usar a força na minha vida policial. Sempre tive o controle das situações de outra forma”, disse. Para ele, a luta é um esporte de determinação, disciplina e equilíbrio.

A atuação na Polícia Federal também ajudou Bertolucci no caminho que o consagrou como referência no esporte. Foi por causa da Corporação que Bertolucci mudou-se para o Amazonas, local onde a Luta Livre ainda não era praticada.

Em 88, quando ingressou na PF, como agente, escolheu o estado para exercer a nova profissão. No Amazonas, Bertolucci voltou a treinar Jiu Jitsu por não encontrar academias de Luta Livre. E na modalidade foi campeão diversas vezes. “No Amazonas, nunca me fizeram um ponto e fui campeão em vários torneios”, lembra.

RECONHECIMENTO

A performance de sucesso fez Marcelo Bertolucci conquistar muitos seguidores. “Comecei a convidar as pessoas para lutarem sem quimono e o movimento só foi crescendo. Em 94, me mudei e eles continuaram. Hoje a Luta Livre Esportiva é muito grande naquela região. Tem até campeão mundial”, conta.

Marcelo iniciou a Luta Livre no Amazonas e, hoje em dia, das pessoas que lutavam com ele, surgiram três federações idealizadoras de projetos sociais que alcançam toda a região Norte. “Inclusive, tem gente que treinava comigo e, hoje, está no exterior administrando academia de Luta Livre”, lembra orgulhoso.

Em Manaus, graduando alunos com faixa preta

Outro fator que orgulha o delegado é a quantidade de adolescentes de periferia que treinaram com ele. “A mudança que aconteceu na vida desses jovens é uma grande satisfação. Eu dava aulas para eles gratuitamente e, atualmente, algumas dessas pessoas têm seus próprios projetos sociais”, contou.

Além disso, a atuação do delegado federal no Amazonas garantiu um campeonato com seu nome. Há dez anos, a Copa Marcelo Bertolucci de Luta Livre Esportiva aquece o cenário esportivo do estado.

E não só os jovens amazonenses foram influenciados por Marcelo e sua luta. Seus dois fi lhos, Felipe e João Bertolucci, de 17 e 12 anos, respectivamente, também praticam o esporte. O mais velho já se consagrou campeão de Jiu Jitsu em Brasília, cidade onde atualmente vive com a família.

Em 95, Bertolucci retornou ao Rio, sua terra natal, após ser aprovado no concurso para delegado de Polícia Federal. Mas sempre volta ao Amazonas para reencontrar os amigos, que costumam homenageá-lo por suas ações de estímulo ao esporte no estado.

Ao relembrar sua trajetória na luta, Bertolucci destaca que implantar o estilo no Amazonas e difundi-lo no Rio não foram tarefas muito difíceis, pois ambos os estados são “terra de um povo aguerrido e lutador”.

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Escrito por maiara

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