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ADPF abraça projetos sociais de Brasília

Cão-guia e Batucar receberam 10% do valor arrecadado nas inscrições da Corrida Contra a Corrupção da cidade

Cães formados no projeto Cão-Guia ajudam deficientes visuais a se locomoverem com segurança

Quando alguns setores da sociedade falham, são os projetos sociais que amparam quem fica desprotegido. Por isso, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) apoia iniciativas comprometidas com a construção de um país melhor.

Em Brasília, a regional da Associação, a ADPF-DF, é parceira de dois projetos sociais. O Batucar, que ensina música e teatro para crianças e adolescentes da periferia da cidade e o Cão-Guia, que treina cães para auxiliar na mobilidade de deficientes visuais.

Nesse contexto, para ajudar a manter as atividades de ambas instituições, os dois projetos são beneficiados com 10% do valor arrecadado com as inscrições da Corrida Contra a Corrupção do Distrito Federal.

Segundo o diretor da regional, o delegado federal Luciano Leiro, a decisão de abraçar essas duas causas se dá por entender que medidas como essas ajudam a diminuir barreiras e diferenças sociais, incluindo e dando mais oportunidades para quem precisa, além de impactar na segurança pública.

“Quando apoiamos causas como essas, lembramos que a segurança pública tem que ser vista num contexto muito maior, em que outros setores da sociedade precisam estar juntos”, afirma Leiro.

Conheça os projetos

CÃO-GUIA

Há 17 anos, o Projeto Cão-Guia prova que um cachorro pode ser muito mais que um bichinho de estimação. Desde 2001, a iniciativa treina cães que circulam pelo país, ajudando na mobilidade, qualidade de vida e inclusão social de deficientes visuais.

De acordo com dados de 2010, do IBGE, no Brasil há cerca de 500 mil pessoas incapazes de enxergar e mais de 6 milhões com algum tipo de deficiência visual.

Ações como a do CãoGuia garantem a essas pessoas o direito básico de ir e vir. O Projeto, que funciona no Setor Policial, em Brasília, treina cães para guiar os deficientes visuais por caminhos rotineiros, como ir ao supermercado, à padaria, ao hospital ou a novos lugares.

O importante é que, independentemente do destino, os cães-guias estão sempre atentos em não colocar as pessoas guiadas em situação de perigo, pois são treinados para desviar de buracos e outros obstáculos que possam surgir.

O Cão-Guia atende pessoas como o Leonardo Moreno, que recebeu do projeto o Cirus e o Black, cães que ele considera como seus melhores amigos.

Cirus conviveu com Leonardo por 14 anos. Depois, para que pudesse se aposentar, veio o Black. “Ter um cão-guia é essencial para mim, que já andei de bengala e sei que a dificuldade é grande.

Os cães nos livram de obstáculos e nos colocam em lugares mais seguros”, afirma Leonardo, que usa como exemplo um hematoma na testa, resultado de um machucado feito em um dia que saiu só de bengala.

“O Black me dá uma autonomia muito grande, sem falar no companheirismo.” Outro aspecto abordado por Leonardo é a interação social. Ele diz sentir uma diferença muito grande na atenção que recebe por onde passa. “Eu sinto uma proximidade maior. As pessoas sempre se interessam ao ver um cão me guiando, oferecem ajuda. Enquanto que com a bengala, geralmente, esperam a gente ter dificuldade para depois nos abordar”, explica.

O processo de criação dos cães, como o Black, começa no cruzamento, que é feito dentro do Instituto para que a genética e a identidade dos filhotes sejam influenciadas pelos reprodutores, que são cachorros formados no projeto.

Desde os primeiros passos o Cão-Guia conta com voluntários. Uma parceria com o instituto de veterinária da UnB garante os cuidados com a saúde dos cachorros. E a alimentação é fornecida pela Premier, produtora de ração.

Os tratamento diário, como banho, escovação e passeios, são feitos por voluntários que visitam o projeto ao menos uma vez na semana. O voluntariado também conta com as famílias hospedeiras que recebem os filhotes e cuidam deles durante o primeiros anos de vida. Cabe a essas pessoas a tarefa de iniciar a convivência dos animais em sociedade. Vão com eles ao mercado, ao restaurante e ao shopping; andam de carro, ônibus e metrô; e ensinam a lidar com crianças.

Quando termina essa fase de socialização, os cães retornam à sede do projeto para uma avaliação de perfil do animal. Se estiverem dentro do padrão, começam o treinamento com os militares do Corpo de Bombeiros. Terminado esse processo, quando considerados aptos a guiar em situações cotidianas e espaços públicos, são doados a quem precisa.

Quando o animal já não tem mais condições de continuar no ofício de cão-guia é aposentado, como aconteceu com o Cirus, primeiro cachorro recebido por Leonardo Moreno. Nessa fase, se houver condições de criá-lo, eles ficam com o deficiente visual ou são adotados por famílias acolhedoras, como a dos responsáveis pelo projeto.

O casal Maria Lúcia Campos e Ricardo Côrrea começaram como acolhedores e hoje são os responsáveis pelo projeto. Juntos, eles já adotaram 16 cachorros. Além de também serem família dos 28 cães que estão sendo treinados. Destes, seis já estão prontos para doação.

Como ajudar?

A manutenção financeira do projeto é feita pela Associação dos Amigos do Cão-Guia (AACG), que realiza eventos para arrecadar dinheiro. Além disso, eles aceitam doações financeiras, produtos de limpeza, toalhas de banho e sabonete Dove, para a higiene dos cães. Para doar, basta entrar em contato pelos emails: caoguiadf@gmail.com e aacgbrasilia@gmail.com, ou pelo telefone (61) 9 9964-7121.

O Instituto Cão-Guia também disponibiliza uma conta bancária para depósitos:

Banco do Brasil

AG: 3596-3

Cc: 111882-x

CNPJ 180803420001-24

Os deficientes visuais interessados em ter um cão-guia devem fazer contato pelo email caoguiadf.cadastro@gmail.com: com informações sobre o nível de deficiência e os tipos de atividades que costumam exercer no dia a dia. Atualmente, 300 pessoas estão na lista de espera.

Se você quer ser voluntário, o email é caoguiavoluntariado@gmail.com

BATUCAR

Na quadra 307 do Recanto das Emas, periferia de Brasília, às terças e quartas, o som de palmas e pisadas dão ritmo à vida de centenas de crianças, que são atendidas pelo Instituto Batucar.

Acordes de violão, piano e outros instrumentos, além das aulas teatrais, dão vida ao Projeto Batucadeiros, que vai muito além da musicalidade. No projeto, a autoestima é algo que cresce junto à noção musical.

Um exemplo é a aluna Milena Alves, recém-aprovada no curso de Pedagogia da Universidade de Brasília (UnB). A estudante chegou criança ao projeto, em busca de aulas de piano. “Mas recebi muito mais do que fui buscar”, conta. “O Batucar me ajudou muito a entrar numa universidade federal. Na escola, nosso contato com o conhecimento muitas vezes é superfi cial e a gente acaba não sabendo como ele vai interferir na nossa vida”, afi rma. Milena diz que a forma como aprendeu a se comunicar fez com que ela tivesse confi ança para enfrentar o vestibular.

O projeto, que começou nas ruas, hoje acolhe dezenas de crianças como Milena em uma casa colorida e cheia de arte. No Batucar, a necessidade faz a solução, pois foi a falta de instrumentos que deu ritmo à iniciativa. “Tinha muito aluno, mas faltava instrumentos. Então surgiu a questão: como fazer música?”, lembra a professora Gisele Luísa.

“O Batucar me ajudou muito a entrar numa universidade federal. Na escola, nosso contato com o conhecimento muitas vezes é superficial”

“Foi por necessidade que começamos a trabalhar com a percussão corporal como o carro chefe do projeto”, explica Gisele, que hoje é professora, mas começou como aluna, na Fundação dos Batucadeiros, em 2001.

O fundador do projeto, professor de música Ricardo Amorim, que se identifica como um ativista social, avalia o projeto como “uma grande oficina do convívio humano”.

O local recebe frequentemente universitários, músicos e a comunidade em geral, que ajuda a manter o que os batucadeiros chamam de “circuito do bem”, por proporcionar uma troca de boas experiências e aprendizados.

“Com o Batucar, conseguimos experimentar outras esferas de benesses que, primeiramente, vão reverberando dentro da gente mesmo e depois por onde a gente passa. Isso não tem preço”, afirma o fundador.

Juntamente com a esposa, Patrícia Amorim, Ricardo está na missão há 17 anos, quase a mesma idade da sua fi lha mais velha, Manuela Amorim, de 16 anos, que cresceu junto com o projeto e hoje se sente muito orgulhosa do trabalho realizado por seus pais.

“O Batucar é minha segunda família. Tenho muito orgulho do que a gente faz aqui”, conta a jovem ao abrir um enorme sorriso. Atualmente, o Batucar atende 80 crianças, mas cerca de cinco mil já passaram pelo projeto.

Além disso, outras centenas são alcançadas pelas oficinas ministradas pelo grupo nas escolas e em centros culturais. Desde 2009, os Batucadeiros passaram a levar sua técnica de batucar no corpo para fora do país, com passagens pela África do Sul e Suécia, país onde o grupo tem ido constantemente a convite do Laboratório de Impacto Social da Universidade de Örebro.

Na região, o trabalho dos Batucadeiros tem ajudado a atenuar as dificuldades que surgiram devido ao aumento do número de imigrantes. Mais de três mil crianças e cerca de 300 educadores já conheceram o projeto.

Como ajudar?

Para que o Batucadeiros permaneça funcionando, o Instituto Batucar conta com projetos apoiados pelo governo, pela iniciativa privada e apresentações remuneradas. Além da ajuda de pessoas físicas, que eles chamam de amigos do batucadeiros.

É possível fazer doações ou se candidatar ao voluntariado pelo site www.institutobatucar.org.br. E quem quiser visitar o Instituto ou obter outras informações, basta entrar em contato pelo email: batucadeiros@gmail.com ou pelo telefone (61) 3082-1014.

Desde 2001, o Instituto Batucar trabalha a musicalidade e a autoestima de crianças da periferia de Brasília

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Escrito por Luana

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